domingo, 4 de janeiro de 2026

428ª sessão: dia 6 de Janeiro (Terça-Feira), às 21h30


O Gabinete do Dr. Caligari, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga

Durante o mês de janeiro, o Lucky Star – Cineclube de Braga começa o Ano Novo com um programa dedicado ao cinema mudo. Neste mês, o ciclo “Expressionismo Alemão” apresenta clássicos do cinema alemão dos anos 20 e 30 do passado século. Como é habitual, as sessões ocorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.

Na próxima terça-feira, 6 de janeiro, o ciclo arranca com o filme O Gabinete do Dr. Caligari (1920), de Robert Wiene, uma das obras fundadoras do cinema expressionista alemão e um marco incontornável da história do cinema. Realizado num período de profunda instabilidade social e política na Alemanha do pós-Primeira Guerra Mundial, o filme distingue-se pela sua estética radical que traduz visualmente as tensões e preocupações que emergiram do contexto cultural e socioeconómico de então. A narrativa acompanha a história do excêntrico Dr. Caligari e do sonâmbulo Cesare, envoltos numa série de crimes. À medida que os assassinatos se acumulam no pequeno povoado, um jovem tenta desvendar a verdade por trás do hipnótico espectáculo de feira de Caligari.

Interpretado por Werner Krauss no papel do Dr. Caligari e Conrad Veidt como Cesare, o filme destaca-se, ainda, pela interpretação de Lil Dagover, que viria a tornar-se uma das grandes estrelas do cinema alemão dos anos 1920. Os cenários pintados, angulosos e distorcidos, concebidos por Hermann Warm, Walter Reimann e Walter Röhrig, rompem com o naturalismo e traduzem visualmente a ansiedade colectiva e instabilidade social da altura. Esta opção estética tornou-se uma das imagens de marca do expressionismo, influenciando gerações de cineastas e movimentos posteriores, do filme noir ao thriller e cinema de terror.

Mais do que uma história de suspense, O Gabinete do Dr. Caligari pode ser lido como uma alegoria do autori-tarismo e da submissão, antecipando debates sobre poder, manipulação e responsabilidade individual. Um século após a sua estreia, o filme mantém-se actual, tanto pela sua ousadia formal como pela força das questões que levanta. A exibição desta obra é também uma oportunidade para revisitar o cinema enquanto forma de expressão artística e histórica.

As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre. 

Até terça-feira!


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