quarta-feira, 11 de março de 2026

Amores Imaginários (2010) de Xavier Dolan




por Laura Mendes
 
Amores Imaginários é uma ode às fantasias da juventude - aquelas onde nos entregamos aos amores não correspondidos, incapazes de os largar, mantendo-os sempre apetecíveis e fascinantes. Uma ode que desvela o que subjaz aos desamores e às ilusões que nos acometem e desvariam: os loucos ideais pelos quais somos tentados, o conceito do ser(-se) amado que ultrapassa a pessoa que pode ser amada - como o dizem no próprio filme -, colocando a falha como elemento imprescindível nas relações que mantemos com os outros, na maneira como crescemos. 

Um filme que explora a complexidade do fenómeno da atração, o seu funcionamento enquanto ponto de partida para uma série de desavenças que colocam frente a frente (res)sentimento, paixão e desilusão, trabalhando o amor romântico ora como uma quimera íntima, ora como um duelo de onde sairá um vencedor e um vencido, até mesmo como um acontecimento tanto impossível como inimaginável.

Repleto de metáforas e devaneios visuais - as escondidas na montanha, o saborear dos marshmallows - evidencia a beleza inerente aos jogos entre Marie, Francis e Nicolas: os dois primeiros, impotentes face aos encantos do último, um Adónis de carne e osso, recusam expressar desejos indizíveis sempre latentes, que ocupam o seu quotidiano, preferindo uma luta lenta e inquietante, mas cativante, necessária à conquista daquele coração.

As tensões entre hetero e homossexualidade, entre amores frustrados e bem-sucedidos, surgem-nos clarificadas e racionalizadas nas sequências intervalares e confessionais, enquanto se materializam de forma brutal e carnal nas dinâmicas do triângulo amoroso, criando um díptico que confronta não só reflexão e ação, mas também realidade e ilusão.

A narrativa, de simplicidade primitiva, ganha contornos mais interessantes com os pormenores que evocam o onírico e o utópico, a transcendência - pensemos nas sequências onde a câmara lenta nos guia em fabulosas danças de cores, ídolos do cinema, paixões irrevogáveis -, unindo-se, num abraço delicioso, à forma que adota através da via do olhar encantado, rendido. 

Queremos que a fantasia se perpetue. É, no entanto, com a destruição do lugar idílico onde o amor poderia florescer sem impedimentos que o filme penetra nas dificuldades do sonho. Rivalidade e desejo, fantasmas de amores passados e futuros compõem uma viagem de frustração que demonstra a força do amor e da sexualidade, mas também o seu lado mais negro e profundo, adensado pela revelação das dores dos corpos queer, dos ciclos de rejeição, da revolta contra uma solidão aparentemente inescapável.

Com a criatividade e a sensualidade de sempre, Dolan reinventa o derrotismo, transformando-o numa reivindicação de amizade, num propulsor de excitação, de novos começos, de vida a acontecer.




domingo, 8 de março de 2026

437ª sessão: dia 10 de Março (Terça-Feira), às 21h30


“Amores Imaginários”, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga

Para Março, o Lucky Star – Cineclube de Braga apresenta uma retrospectiva dedicada ao realizador canadiano Xavier Dolan. Com apenas vinte anos, Dolan afirmou-se como um dos grandes prodígios do cinema contemporâneo. Realizador, argumentista e actor, construiu uma obra pessoal, marcada por uma estética vibrante e jovial, mas também por uma intensidade e profundidade dramática rara com pontuações musicadas. Como é habitual, as sessões decorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.

Na próxima terça-feira, exibe-se Amores Imaginários (2010), segunda longa-metragem de Xavier Dolan que confirma o talento precoce do cineasta que se revelara no ano anterior com Eu Matei a Minha Mãe (2009), exibido na semana passada. Neste segundo filme, o realizador retrata as inseguranças da juventude, o amor não correspondido e a obsessão amorosa.

A história acompanha Francis e Marie, dois amigos inseparáveis que vivem em Montreal, cuja relação se altera quando conhecem Nicolas, um jovem que rapidamente desperta o fascínio de ambos. Convencidos de que são o verdadeiro objecto de desejo dele, instala-se uma rivalidade entre Francis e Marie. Através deste triângulo amoroso, Dolan explora as projecções românticas e a forma como o amor, ou a ideia que fazemos do amor ou o idealizamos, pode distorcer a percepção da realidade.

Tal como no seu filme de estreia, o realizador assume múltiplas funções: escreve o argumento, realiza e interpreta uma das personagens principais, Francis. A seu lado surge Monia Chokri, que dá vida a Marie, e Niels Schneider, no papel de Nicolas, cuja ambiguidade alimenta a tensão emocional do trio. O elenco é ainda pontuado por pequenas participações e testemunhos que surgem como comentários irónicos sobre experiências amorosas, reforçando o tom simultaneamente romântico e mordaz do filme.

Rodado em Montreal (Canadá), Amores Imaginários apresenta uma estética marcada pela câmara lenta, pelo guarda-roupa meticulosamente escolhido e por uma banda sonora ecléctica que cruza pop com referências retro — traços que se tornariam característicos do cinema de Xavier Dolan. O filme estreou no Festival de Cannes de 2010, na secção Un Certain Regard.

As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre. 

Até terça-feira!


quinta-feira, 5 de março de 2026

Eu Matei a Minha Mãe (2009) de Xavier Dolan



por António Cruz Mendes
 
Comecemos pelo fim. Na última sequência de imagens de Eu matei a minha mãe, vemos Hubert Minel em criança, a brincar, feliz, ao lado da sua mãe. Acham-se naquilo a que ele mais tarde chamará “o seu reino”, o paraíso perdido dos seus amores infantis, o lugar onde, mais tarde, se refugiará quando fugiu do colégio onde os pais o matricularam como aluno interno.

Antes disso, depois de violentamente agredido pelos seus colegas, vítima de uma provável manifestação homofóbica, refugia-se no seu quarto, mergulhado na penumbra. Vemo-lo despido, de costas, sentado à sua secretária. Apenas a luz ténue de um pequeno candeeiro de mesa ilumina a cena. Escreve. No que está a pensar? Numa onírica sequência de imagens, Hubert, já um jovem adulto, persegue a mãe, ainda jovem e vestida de noiva. Essas imagens, muito belas, tingidas pela cor outonal da floresta onde a cena decorre, têm uma conotação sexual bastante explícita. E é o horror que isso desperta nele que explica a relação tensa, violenta, que, na sua adolescência, ele vai desenvolver com ela.

Evidentemente, a atitude de menosprezo, muitas vezes raiando o ódio, que ele faz questão de evidenciar a propósito dos seus gostos e dos seus costumes, reflecte a diferença cultural que os separa, bem como a necessidade, própria da adolescência, de afirmação da sua própria identidade, da sua diferença. Mas, no caso de Hubert, ela funciona, antes de tudo, como o escudo com que ele se defende de um amor proibido.

Hubert está presente em quase todas as cenas. Naquelas que nos contam a sua história, nos seus monólogos interiores, filmados a preto e branco, ou nos flashback que nos remetem para a sua infância, apresentados sob a forma de filmagens, supostamente realizadas pelo seu pai, num registo muito espontâneo e despretensioso. 

Todo o filme se resume ao seu drama interior. As outras personagens, inclusive a da sua mãe, para quem as fúrias de Hubert parecem ser apenas um incómodo mais ou menos difícil de suportar, se apagam diante dele. Têm uma espessura psicológica e uma relevância muito pequena. Pouco ficamos a saber do seu namorado, Antonin, ou da sua professora, Julie Coutier, com quem Hubert mantém uma relação que, também ela, está proscrita pelas convenções sociais. Menos ainda ficamos a saber algo acerca do seu pai. O filme resume-se a Hubert e à forma como se debate com a relação de amor-ódio que mantém com a sua mãe.

Eu matei a minha mãe é primeira longa-metragem de Xavier Dolan. Ele próprio encarna a personagem de Hubert e o seu filme, não sendo uma obra autobiográfica, reflecte experiências de vida do realizador. Não é por acaso que, tanto ele como a sua personagem, são homossexuais. Tal como no caso de Hubert, os pais de Xavier Dolan divorciaram-se quando ele era ainda criança e também ele manteve, depois disso, uma relação problemática com a sua mãe. E, tal como, no filme, podemos interpretar as tentativas literárias e artísticas de Hubert como uma tentativa de sublimação dos seus recalcamentos, o mesmo se poderá dizer acerca de Dolan, que ultrapassou um historial de rebeldia e de violência, que o levou a ser expulso de várias escolas, dedicando-se ao cinema.

O roteiro de Eu matei a minha mãe foi escrito quando ele tinha dezasseis anos e o filme, multipremiado premiado no festival de Cannes, realizou-o quando tinha vinte. Foi o primeiro passo da sua carreira como realizador. Uma obra ainda muito pouco conhecida em Portugal que, agora o Lucky Star – Cineclube de Braga se propõe divulgar com a realização deste ciclo de filmes de Xavier Dolan.
 


A presença recorrente da imagem de Hubert em grande plano sublinha o facto do filme se centrar quase exclusivamente numa reflexão sobre o seu drama interior.
 
 
 
 

domingo, 1 de março de 2026

436ª sessão: dia 3 de Março (Terça-Feira), às 21h30


“Eu Matei a Minha Mãe” de Xavier Dolan, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga

Para Março, o Lucky Star – Cineclube de Braga apresenta uma retrospectiva dedicada ao realizador canadiano Xavier Dolan. Como é habitual, as sessões decorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.

Na próxima terça-feira, o cineclube abre o ciclo com “Eu Matei a Minha Mãe” (J’ai tué ma mère, 2009), primeira longa-metragem de Xavier Dolan, realizada quando o cineasta canadiano tinha apenas 20 anos.
 
O filme acompanha Hubert, um adolescente de 17 anos que vive uma relação marcada por conflito permanente com a mãe. Entre confrontos e tentativas falhadas de aproximação, a narrativa centra-se na dificuldade de comunicação entre ambos, abordando temas como autonomia, identidade e afirmação pessoal. Em paralelo, Hubert procura afirmar a sua individualidade, incluindo a vivência da sua orientação sexual.

Interpretado pelo próprio Xavier Dolan. o filme foi desenvolvido a partir de um argumento parcialmente inspirado nas experiências pessoais do realizador. O elenco inclui ainda Suzanne Clément, no papel da professora e Patricia Tulasne, que interpreta a diretora da escola. A presença de Anne Dorval (mãe de Hubert), na sua primeira colaboração com Dolan, marcou o início de uma parceria artística que se prolongaria em vários filmes posteriores do realizador.

Produzido com um orçamento reduzido e financiado em parte com fundos públicos do Quebeque, o projecto começou a ser escrito quando Dolan ainda era adolescente. A rodagem decorreu em Montreal, privilegiando espaços interiores e centrada no trabalho de actor.

O filme estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, em 2009, onde recebeu três dis-tinções, incluindo o Art Cinema Award. Ao longo do circuito internacional, foi exibido em vários festivais e conquistou mais de vinte prémios, afirmando Xavier Dolan como uma das revelações do cinema contemporâneo.

Primeiro capítulo de uma filmografia que rapidamente ganharia projeção internacional, Eu Matei a Minha Mãe permanece uma obra central no percurso do realizador, pelo modo como expõe a complexidade das relações familiares e o processo de construção da identidade na adolescência.

As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre. 

Até terça!


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Deuses de Pedra (2025) de Iván Castiñeiras Gallego



por Jessica Ferreiro
 
O cineclube encerra o ciclo de cinema galego, em parceria com o Festival Convergências, com mais um documentário que ainda não estreou no circuito comercial: Deuses de Pedra (2025), de Iván Castiñeiras Gallego, que se construiu ao longo de 15 anos de filmagens entre a Galiza e Portugal. O filme observa o quotidiano e as transformações de uma comunidade rural da “raia seca”, uma das fronteiras mais antigas da Europa, e cujo tracejado é, também, uma linha imaginária que incorpora memórias antigas e planos futuros.

Rodado em Trás-os-Montes, com foco na aldeia de Moimenta da Raia (Vinhais) e na zona de Manzalvos, na Galiza, estende-se ainda a outras localidades fronteiriças como Ousilhão, Vila Boa de Ousilhão, Carvalhas, Casares e Mofreita. O documentário regista práticas e rituais locais, incluindo os a matança do porco ou, ainda, os caretos de Ousilhão.

A preto e branco, as práticas ancestrais, a cultura material, tal como as ferramentas de trabalho e outros utensílios do dia-à-dia, são exibidas como relíquias. As práticas e partilhas, tal como a da merenda tradicional nas montanhas, que tanto podem ser portuguesas como galegas, romanas, celtas e mouras, o relato das histórias comuns em torno do contrabando que transpõem a fronteira vigiada e de “arame farpado”, mas também as mãos que descascam o fruto plantado e colhido da terra ou, ainda, os movimentos que moldam o pão, representam cada gesto que desenham uma paisagem geográfica marcada pela sua história e cultura. Homens e mulheres, um dia ancestrais, atravessam estes lugares, deixando os seus passos como vestígios ou rochas antigas, tornando-se Deuses de Pedra, indeléveis.

As filmagens a preto e branco dão lugar às imagens a cores que nos remetem para o tempo presente e para as mudanças inevitáveis que transformaram a aldeia ao longo de 15 anos: a desertificação, resultado da emigração, o encerramento da escola, bem como as prática e gostos partilhados pelos mais jovens, reflectidos na música ou na dança. Contudo, não existe perda, alguns pretendem voltar, outros escrevem cartas aos seus entes queridos que estão emigrados e muitos regressam para as festas de verão, sem nunca sentirem que perderam as suas raízes. Mariana, que se vê crescer ao longo do filme, dos 3/4 aos 18 anos, decide, no final, deixar a aldeia e emigrar, provavelmente juntar-se ao seu irmão em Valência (Espanha). Apesar da tristeza sentida em deixar a sua terra e a sua mãe, sabemo-la ciente de que a vida é “uma aventura” e que é feita de idas e voltas. Os “Deuses de Pedra” retornam sempre ou talvez nunca se ausentem do seu templo, como as grandes e antigas pedras que compõem a paisagem e testemunhas as histórias dos homens que acolhem.

Assim, através do registo documental e de um olhar etnográfico, Deuses de Pedra convida o espectador a reflectir sobre a maneira como a história e a geografia moldam a vida das pessoas, explorando a fronteira não como barreira, mas como espaço vivo de memórias, escolhas e continuidades.

Coproduzido entre Espanha, França e Portugal, o filme foi rodado em formato 16 mm e envolveu colaborações de equipas técnicas portuguesas, espanholas e francesas, incluindo o design de som e música de Miguel Moraes Cabral e a edição de Antonio Trullén Funcia. A obra estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Roterdão (IFFR) 2025, na secção Bright Future, e passou por diversos festivais internacionais, como o Thessaloniki International Documentary Festival e o Porto/Post/Doc 2025. No festival Play-Doc (Tui), recebeu uma distinção na competição galega por retratar a transformação de um território e as suas gentes. 
 
 
 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

435ª sessão: dia 24 de Fevereiro (Terça-Feira), às 21h30


“Deuses de pedra” de Ivan Castiñeiras Gallego, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga

Até ao final de fevereiro, o Lucky Star – Cineclube de Braga apresenta um ciclo de cinema dedicado à Galiza, em parceria com o Festival Convergências, na sua XII edição. Como é habitual, as sessões ocorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.
 
Na próxma terça-feira, o cineclube encerra o ciclo com mais um documentário que ainda não estreou no circuito comercial: Deuses de Pedra” (2025), de Iván Castiñeiras Gallego, que se construiu ao longo de 15 anos de filmagens entre a Galiza e Portugal.
 
O filme observa o quotidiano e as transformações de uma comunidade rural da “raia seca”, uma das fronteiras mais antigas da Europa, articulando memória, tradição e identidade. A narrativa acompanha Mariana, ao longo de 15 anos filmagem, que aos 17 anos decide deixar a aldeia e emigrar.

Rodado em Trás-os-Montes, com foco na aldeia de Moimenta da Raia (Vinhais) e na zona de Manzalvos, na Galiza, estende-se ainda a outras localidades fronteiriças como Ousilhão, Vila Boa de Ousilhão, Carvalhas, Casares e Mofreita. O documentário regista práticas e rituais locais, incluindo os Caretos de Ousilhão, a matança do porco, o ciclo do pão e a chega de bois. Coproduzido entre Espanha, França e Portugal, o filme foi rodado em formato 16 mm e envolve colaborações de equipas técnicas portuguesas, espanholas e francesas, incluindo o design de som e música de Miguel Moraes Cabral e a edição de Antonio Trullén Funcia. 

A obra estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Roterdão (IFFR) 2025, na secção Bright Future, e passou por diversos festivais internacionais, como o Thessaloniki International Documentary Festival e o Porto/Post/Doc 2025. No festival Play-Doc (Tui), recebeu uma distinção na com-petição galega por retratar a transformação de um território e as suas gentes.

Com uma proposta formal que cruza observação directa e olhar etnográfico, Deuses de Pedra convida o espectador a refletir sobre a maneira como a história e a geografia moldam a vida das pessoas, explorando a fronteira não como barreira, mas como espaço vivo de memórias, escolhas e continuidades.

As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre. 

Até terça-feira!