Crepúsculo em Tóquio de Yasujiro Ozu, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga
No mês de junho, o Lucky Star – Cineclube de Braga apresenta o ciclo “O Mestre e o Seu duplo”. A programação é constituída por dois documentários que incidem sobre a obra de um cineasta, seguidos pela exibição de um filme do mesmo. Nesta primeira edição foram escolhidos Yasujiro Ozu e Manoel de Oliveira. Como é habitual, as sessões decorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.
Na próxima terça-feira, o ciclo prossegue com Crepúsculo em Tóquio (1957), do realizador japonês Yasujiro Ozu. A narrativa centra-se em duas irmãs. A mais velha, Takako, regressa ao lar paterno para fugir de um casamento infeliz, enquanto a mais nova, Akiko, ainda lá reside. O reaparecimento inesperado da mãe, que as abandonara há vários anos, desencadeia uma série de tensões que expõem as fragilidades familiares e as dificuldades de adaptação a um Japão em rápida transformação. Situado no período do pós-guerra, o filme aborda questões como a desagregação da família tradicional, a gravidez indesejada e a distância entre gerações.
O filme integra a fase final da carreira de Ozu e apresenta os temas centrais da sua obra. Através de enquadramentos fixos e de uma encenação depurada, o realizador constrói uma reflexão sobre as transformações sociais que atravessaram o Japão. Embora tenha tido menor destaque, Crepúsculo em Tóquio foi progressivamente reavaliado pela crítica e pelos estudos de cinema, sendo hoje considerado uma obra importante para compreender a evolução temática de Ozu e a representação das mudanças sociais no Japão da década de 1950.
Yasujirō Ozu é hoje reconhecido como uma das figuras fundamentais da história do cinema. Autor de obras como Primavera Tardia (1949), Início do Verão (1951), Viagem a Tóquio (1953) e Bom Dia (1959), desenvolveu uma linguagem cinematográfica singular que influenciou sucessivas gerações de cineastas.
Realizadores tão distintos como Wim Wenders, Jim Jarmusch, Aki Kaurismäki, Hou Hsiao-hsien, Hirokazu Kore-eda ou Abbas Kiarostami reconheceram a importância da sua obra, destacando a forma como Ozu transformou o quotidiano e os pequenos gestos em matéria cinematográfica.
As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras, às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre.
Até terça!







