ANIKI-BÓBÓ, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga
No mês de junho, o Lucky Star – Cineclube de Braga apresenta o ciclo “O Mestre e o Seu duplo”. A programação é constituída por dois documentários que incidem sobre a obra de um cineasta, seguidos pela exibição de um filme do mesmo. Nesta primeira edição foram escolhidos Yasujiro Ozu, apresentado por Wim Wenders, e Manoel de Oliveira, visto por João Botelho. Como é habitual, as sessões decorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.
Na próxima terça-feira, o ciclo encerra com a exibição de Aniki-Bóbó (1942), primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira, amplamente considerada uma das obras fundamentais e mais influentes da história do cinema nacional. Inspirado no conto “Os Meninos Milionários” de João Rodrigues de Freitas, o filme acompanha o quotidiano de um grupo de crianças nas margens do rio Douro, no Porto. O enredo centra-se na rivalidade entre Carlitos e Eduardinho, ambos apaixonados por Teresinha. Através de brincadeiras e pequenas transgressões infantis, a obra constrói um retrato sobre a inocência e o despertar da consciência moral.
Rodado em cenários naturais do Porto e interpretado maioritariamente por actores amadores, Aniki-Bóbó rompeu com as convenções estéticas e com os estúdios da época. A atenção à realidade e a espontaneidade dos gestos conferiram-lhe uma linguagem visual inédita no país. Apesar da recepção fria aquando da sua estreia, o filme foi reavaliado por historiadores do cinema, que hoje o apontam como um precursor do neorrealismo italiano, antecipando em anos os conceitos de clássicos como Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rossellini.
O realizador Manoel de Oliveira (1908 – 2015) consolidou-se como uma das figuras cimeiras do cinema europeu e autor português com maior projecção internacional. Numa carreira que atravessou mais de oito décadas, assinou títulos como Douro, Faina Fluvial (1931), Vale Abraão (1993) e O Estranho Caso de Angélica (2010). O seu percurso ficou marcado pela constante experimentação formal, pela forte ligação à literatura e por uma original reflexão sobre o tempo. Mais de 80 anos após o seu lançamento, Aniki-Bóbó mantém um estatuto de clássico indiscutível.
As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras, às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre.
Até terça!

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