domingo, 18 de janeiro de 2026

430ª sessão: dia 20 de Janeiro (Terça-Feira), às 21h30


“O Último dos Homens” de F.W. Murnau, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga

 
Durante o mês de janeiro, o Lucky Star – Cineclube de Braga começa o ano de 2026 com um programa dedicado ao cinema mudo. Neste mês, o ciclo “Expressionismo Alemão” apresenta clássicos do cinema alemão dos anos 20 e 30 do século passado. Como é habitual, as sessões ocorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.

Esta terça, o ciclo prossegue com o filme O Último dos Homens (Der letzte Mann, 1924), de F. W. Murnau, uma das obras mais inovadoras do cinema mudo e um marco decisivo na evolução da linguagem cinematográfica.
 
O filme acompanha a história de um porteiro de hotel, interpretado por Emil Jannings, cuja identidade e posição social estão profundamente ligadas ao uniforme que enverga. Quando é despromovido para uma função subalterna, o impacto psicológico dessa queda social torna-se o verdadeiro centro da narrativa. Privado quase totalmente de intertítulos, o filme constrói o seu sentido através da imagem e do movimento.

É em O Último dos Homens que Murnau, em colaboração com o diretor de fotografia Karl Freund, introduz de forma sistemática a chamada “câmara desacorrentada” (entfesselte Kamera), libertando a câmara do tripé e explorando movimentos até então inéditos. Este uso expressivo da câmara, aliado a enquadramentos subjectivos e a uma montagem precisa, permite traduzir visualmente o estado emocional da personagem, tornando a forma inseparável do conteúdo narrativo.

Produzido pela UFA, o filme é frequentemente associado ao expressionismo alemão, embora se afaste da estilização extrema dos cenários pintados, optando por espaços reais e uma encenação centrada na experiência interior e psicológica da personagem, inspirado, também, pelo teatro. A abordagem visual de Murnau influenciou decisivamente o “cinema narrativo” das décadas seguintes, antecipando soluções formais que se tornariam comuns no cinema moderno.

Apesar do final imposto pelo estúdio, que introduz uma resolução mais optimista, O Último dos Homens permanece uma obra essencial pela forma como articula imagem, movimento e psicologia, afirmando o cinema como arte visual com uma linguagem autónoma, capaz de narrar sem palavras.

As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre. 
 
Até terça-feira! 



quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

NOSFERATU (1922) de F. W. Murnau




por Alexandra Barros
 
O Nosferatu de Murnau é um dos mais icónicos filmes do movimento artístico do Expressionismo Alemão e do Cinema de Terror. Foi a primeira das várias adaptações para o cinema da obra “Drácula”, do escritor irlandês Bram Stoker, publicada em 1897. Ao longo das décadas seguintes, surgiram muitas outras adaptações, entre as quais: Drácula de Tod Browning (1931), Drácula de Terence Fisher (1958), Nosferatu: o Vampiro da Noite de Werner Herzog (1979) e Drácula de Bram Stoker de Francis Ford Coppola (1992).
 
Porque é que o filme de Murnau foi tão inspirador e ocupa um lugar tão relevante na História do Cinema? Nosferatu evoca questões que, desde tempos imemoriais, intrigam, fascinam ou aterrorizam o Homem e que - tal como os vampiros - continuam a atravessar os tempos: as poderosas forças da Natureza, o sobrenatural e o inexplicável, o destino, o pecado, o acaso, o instinto, o mal, o desejo, o amor. Existem forças naturais (ou sobrenaturais), não compreendidas pela razão humana, que tecem subterraneamente o destino dos homens? O mal existe? O sofrimento é uma consequência do pecado? O que é capaz de perder o Homem? O que é capaz de o salvar? Nenhuma destas questões é levantada de forma explícita. Murnau convoca estes temas através do poder simbólico do cruzamento ou recorrência de imagens, de ambientes que evocam as paisagens interiores das personagens, de uma linguagem visual expressiva.
 
O prólogo anuncia que vamos assistir a uma crónica do Grande Morticínio ocorrido em Wisborg em 1838. As primeiras imagens mostram um jovem casal apaixonado, Hutter e Ellen. Hutter colhe flores no jardim para oferecer a Ellen, mas esta repreende-o ternamente por ter matado umas flores tão bonitas. A bem-aventurança, no entanto, está prestes a terminar. Hutter coloca em marcha os acontecimentos que conduzirão a uma imensa tragédia, atraído pela ideia de ganhar muito dinheiro. Knock, o seu estranho patrão, pede-lhe que vá aos Montes Cárpatos vender, ao conde Orlok[1], a casa defronte da que o próprio Hutter e Ellen habitam. Ao informar Ellen que está de partida para a terra dos fantasmas, Ellen pressente o perigo que envolve a viagem. É com Ellen num estado de grande consternação que Hutter parte. Perto do destino, os habitantes locais tentam demovê-lo de se aproximar do castelo do conde, mas Hutter ignora os avisos. Ridiculariza as crenças dos populares e, num acto da mais absoluta soberba, atira ao chão um livro sobre vampiros, cujo subtítulo é “Fantasmas Terríveis e os Sete Pecados Mortais”. Depois de passar a ponte que os populares se recusam a atravessar, os acontecimentos insólitos começam a suceder-se. Uma carruagem que se desloca a uma velocidade sobrenatural oferece transporte a Hutter.
 
Os claros e os escuros invertem-se[2] suscitando a sensação de que o mundo se “avariou”. A porta do castelo abre-se sozinha. Orlok desliza de um ponto para outro do espaço instantaneamente. Se o amor é cego, a ganância também parece ser pois nenhum destes inauditos factos impede Hutter de tentar levar a cabo a sua missão. Ao apresentar ao conde a planta da casa que é suposto vender-lhe, Hutter deixa deslizar, inadvertidamente, para junto dos documentos, uma fotografia de Ellen. O acaso acaba por escancarar a caixa de Pandora que a visita de Hutter entreabrira. “A sua esposa tem um pescoço adorável.” De imediato o conde decide comprar a casa proposta. Entre o conde e Ellen estabelece-se um elo insondável, semelhante ao misterioso “spooky action at a distance”[3] de Einstein. O casal perfeito, Hutter e Ellen, transforma-se num enigmático triângulo amoroso. Quando a sombra predadora de Orlok se projecta sobre Hutter, Ellen pressente o ataque e chama Hutter. No entanto, é Orlok quem se vira “para ela”, parecendo responder ao chamamento. Orlok embarca num navio para ir ao encontro de Ellen, acompanhado por caixões carregados de terra (e ratos), justificando com propósitos científicos a estranha “bagagem”. Hutter, por seu lado, regressa a Wisborg por terra, cavalgando ao longo de rios, atravessando florestas e ribeiros. Nos portos onde atraca, o navio que transporta Orlok deixa a peste e a morte. No próprio navio também. Imagens do rebentar violento das ondas do mar reforçam a ideia do combate entre forças desiguais que decorre a bordo. Entretanto, em Wisborg, o professor Bulwer, que estuda os segredos da natureza e os seus princípios unificadores, dá uma aula sobre relações bióticas, particularmente, a predação. Uma planta carnívora atrai um insecto para o seu interior, de onde já não sairá, “abraçado” pelas folhas da planta, que se fecham lentamente sobre ele. Um pólipo aquático transparente e quase etéreo atrai para a sua “mão” aberta um organismo. Este é imediatamente envolvido pelos “dedos” tentaculares do pólipo, o qual se fecha num novelo onde atacante e vítima se tornam indistinguíveis. Numa cela da prisão, onde Knock enlouquecido foi encarcerado, o comportamento de uma aranha na sua teia assemelha-se ao pólipo do professor. Apesar dos seus métodos “vampíricos”, estes seres vivos não personificam o mal. Apenas a luta pela sobrevivência.
 
Quando o navio está prestes a atracar em Wisborg, Knock sente a presença de Nosferatu: “O mestre está próximo”. Na mesma altura, Ellen em transe, lança os braços para a frente para receber o seu amor: “Ele está a chegar. Tenho que ir ter com ele.” Não sabemos se os braços se estendem para Hutter ou Orlok.
 
Orlok instala-se na propriedade que comprou e vigia Ellen da sua janela. Murnau, que em diversas alturas, utiliza o ambiente para reflectir o estado interior das personagens, mostra Orlok enquadrado por um enxadrezado de grades. Orlok, preso nas grades da paixão e do desejo, mais do que um predador, torna-se presa. Ellen, por sua vez, assiste a partir da sua janela, ao desfile ininterrupto de caixões de concidadãos dizimados pela peste que o navio-fantasma espalhou. Para salvar Hutter e a cidade, Ellen oferece-se sacrificialmente. Abre a janela e estende os braços para a casa que tem atraído de forma obsessiva o seu olhar. Orlok responde ao chamamento. A narrativa visual do encontro de Ellen e Nosferatu, com o seu fabuloso uso de sombras, é lendária. É a sombra de Nosferatu, com garras alongadíssimas, que vemos subir as escadas, em direção ao quarto de Ellen. Sentindo a sua presença, Ellen leva a mão ao coração e cai sobre a cama. Onde esteve a mão de Ellen, vemos agora a sombra negra dos dedos longos de Nosferatu enleando o seu coração. Só o cantar do galo quebra o encantamento em que o sangue de Ellen mergulha Nosferatu. Os primeiros raios de sol, porém, entram já pela janela e desferem o golpe fatal. É Nosferatu quem, agora, espelhando o gesto de Ellen, leva a mão ao próprio coração, após o que se desfaz numa nuvem de fumo. Com Nosferatu, extingue-se também a peste, mas não o sofrimento. O amor e altruísmo de Ellen salvam Hutter e a cidade, mas ela morre nos braços do marido, acrescentando à colossal tragédia, a que os actos dele (ou do destino?) conduziram, um terrível golpe final.
 
 
[1] Nesta adaptação não autorizada da obra de Bram Stoker, Drácula chama-se Orlok.
[2] O negativo do filme é usado para obter esta inversão entre luz e escuridão, criando uma atmosfera irreal. 
[3] Em português, a tradução mais comum da expressão usada por Einstein para caracterizar o entrelaçamento quântico é “ação fantasmagórica à distância”.
 
 
 
 

domingo, 11 de janeiro de 2026

429ª sessão: dia 13 de Janeiro (Terça-Feira), às 21h30


Nosferatu de F.W. Murnau, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga

Durante o mês de janeiro, o Lucky Star – Cineclube de Braga começa o Ano Novo com um programa dedicado ao cinema mudo. Neste mês, o ciclo “Expressionismo Alemão” apresenta clássicos do cinema alemão dos anos 20 e 30 do passado século. Como é habitual, as sessões ocorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.

Esta terça, o ciclo continua com o filme Nosferatu (1922), de F. W. Murnau, cuja trama começa com a viagem do jovem agente imobiliário Hutter à Transilvânia, onde conhece o conde Orlok, uma figura sombria e misteriosa, interpretada por Max Schreck, que levará a morte e a peste à cidade de Wisborg. A actriz Greta Schröder, como Ellen, assume um papel central na resolução da narrativa. 

Ao contrário do expressionismo mais estilizado de O Gabinete do Dr. Caligari, Murnau privilegia o uso de paisagens naturais e contrastes de luz e sombra. A encenação assenta sobretudo em planos fixos e composições geométricas que, a par da montagem, constroem um paralelismo psicológico, conferin-do ao filme uma atmosfera poética e fúnebre, onde o terror emerge tanto da figura do monstro como do espaço que o circunda.

Os temas do filme têm sido amplamente debatidos pela historiografia do cinema. Leituras que associ-am Nosferatu a ansiedades do pós-Primeira Guerra Mundial, à experiência da peste ou a medos projectados sobre o “estrangeiro” coexistem com interpretações mais específicas, incluindo alegorias do antissemitismo ou da pandemia de gripe espanhola. Esta pluralidade de leituras confirma a complexi-dade simbólica do filme e do contexto do qual emergiu.

Produzido pela Prana-Film, Nosferatu inspirou-se em Drácula, de Bram Stoker, sem autorização dos herdeiros do escritor, motivando um processo judicial que quase levou à destruição de todas as cópias do filme, mas que sobreviveu graças à circulação clandestina.
 
Embora não seja a primeira utilização não autorizada da figura de Drácula no cinema, é a mais antiga adaptação do romance. A mais antiga conhecida é o filme perdido Drakula halála (1921) ou a Morte de Drácula, realizado pelo húngaro Károly Lajthay, restando apenas vestígios do filme nos registos fotográficos conservados. O filme Nosferatu (1922) de Murnau, hoje, restaurado e amplamente reconhecido, permanece uma referência essencial na história do cinema e uma obra incontornável do imaginário gótico.

As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às ter-ças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre. 

Até terça!
 


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

O Gabinete do Dr. Caligari (1920) de Robert Wiene



por António Cruz Mendes
 
O Gabinete do Dr. Caligari tem sido visto como o filme-manifesto do cinema expressionista alemão. A história fantástica, os cenários pintados com as suas formas angulosas e desequilibradas, os violentos contrastes de luz e sombra, a carregada maquilhagem dos actores e os seus códigos histriónicos de representação, tudo isso, foi retomado por muitos outros filmes, acabando por dar origem a um estilo que se denominou como “caligaresco”, característico da primeira fase do cinema expressionista, na Alemanha. Na pintura expressionista, as formas não pretendem mimetizar a realidade visível, mas exprimir emoções veementes e, diz-nos Hermann Warm, um dos autores dos cenários onde decorre a acção do filme de hoje, “as películas [cinematográficas] devem ser desenhos aos quais se dá vida”. O filme de Wiene “dá vida”, de uma forma muito gráfica, aos ressentimentos, às ansiedades e aos medos que perpassam a sociedade alemã depois da I Guerra Mundial.
 
O argumento foi concebido por Hans Janovitz e Carl Mayer que se inspiraram em experiências por si vividas. Janowitz recordava uma noite, onde, deambulando por uma feira em Hamburgo, perseguiu uma jovem muito bela, seguindo o seu riso até um bosque onde se perdeu. Mais tarde, soube que aí tinha ocorrido um crime. E, no funeral da jovem assassinada, pareceu-lhe reconhecer um indivíduo que entreviu, afastando-se do lugar onde ele poderá ter sido cometido. Mayer foi soldado durante a Grande Guerra e, dessa experiência guardou uma memória traumática. Foi submetido a tratamentos psiquiátricos e, no hospital onde esteve internado, travou um dramático duelo mental com os médicos que o trataram.
 
A guerra havia terminado e os dois alimentavam os mesmos ideais pacifistas e o mesmo ódio aos governos que tinham enviado milhões de jovens para aquela carnificina. Um dia, ambos observaram um espectáculo onde, sob o título “Homem ou máquina?”, se convidavam as pessoas a apreciar as proezas de um homem que, hipnotizado, realizava proezas físicas impressionantes.
 
Foi das conversas que tiveram e do cruzamento destas histórias que nasceu o guião cinematográfico de O Gabinete do Dr. Caligari. Eric Pommer aceitou produzir o filme e convidou Fritz Lang para o dirigir. Contudo, ele não pôde aceitar por estar a terminar As Aranhas e foi substituído por Robert Wiene, que introduziu uma alteração significativa ao roteiro de Janovitz e Mayer. A história dos crimes cometidos por Cesare sob o mando do Dr. Caligari manteve-se, mas como narrativa fantasiosa de um louco internado num hospício. Essa alteração subvertia a intenção dos autores que conceberam o filme como uma denúncia da capacidade de homens comuns poderem cometer as maiores atrocidades quando submetidos à vontade de autoridades que, sobre eles, dispõem de um poder absoluto. A alusão à ferocidade com que soldados diferentes países se chacinaram durante a I Guerra Mundial, manipulados por governos defensores de interesses que lhe eram estranhos, era evidente no guião inicial, mas ficava esbatida depois das alterações introduzidas por Wiene.
 
Mayer e Janovitz sugeriram que o desenho dos cenários fosse encomendado a Alfred Kublin, um ilustrador próximo da estética simbolista, mas eles acabaram por ser entregues a Hermann Warm, Walter Rörig e Walter Reiman, mais influenciados pela pintura dos artistas do grupo Die Brücke, como Ernst Kirchner e Karl Schmidt-Rottluff. Os ambientes por si criados sublinham a ideia de Wiene de que tudo aquilo que o filme narra se passa na mente caótica e angustiada de um louco.
 
No entanto, a ideia original de Janovitz e Mayer não se perdeu inteiramente. Os sinais que denunciam a arrogância dos poderes autoritários continuam presentes, não só na relação do Dr. Caligari com o sonâmbulo, mas também nos altos e estranhos bancos onde se empoleiram os funcionários da Câmara, ou nas escadas que se é obrigado a subir para alcançar o gabinete do director do hospital psiquiátrico.
 
Apesar das alterações de Wiene ao roteiro inicial, o final do filme não nos impede de compreender as imagens inquietantes da feira, que observamos no seu início, ou do pátio do manicómio, que vemos nas suas sequências finais, como metáforas da sociedade alemã dos anos 20, avassalada pelo delírio que a conduziu à catástrofe alguns anos depois. É, portanto, legítima a leitura de Siegfried Kracauer, que vê em O Gabinete do Sr. Caligari uma premonição da chegada de Hitler ao poder. 
 
 
 

domingo, 4 de janeiro de 2026

428ª sessão: dia 6 de Janeiro (Terça-Feira), às 21h30


O Gabinete do Dr. Caligari, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga

Durante o mês de janeiro, o Lucky Star – Cineclube de Braga começa o Ano Novo com um programa dedicado ao cinema mudo. Neste mês, o ciclo “Expressionismo Alemão” apresenta clássicos do cinema alemão dos anos 20 e 30 do passado século. Como é habitual, as sessões ocorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.

Na próxima terça-feira, 6 de janeiro, o ciclo arranca com o filme O Gabinete do Dr. Caligari (1920), de Robert Wiene, uma das obras fundadoras do cinema expressionista alemão e um marco incontornável da história do cinema. Realizado num período de profunda instabilidade social e política na Alemanha do pós-Primeira Guerra Mundial, o filme distingue-se pela sua estética radical que traduz visualmente as tensões e preocupações que emergiram do contexto cultural e socioeconómico de então. A narrativa acompanha a história do excêntrico Dr. Caligari e do sonâmbulo Cesare, envoltos numa série de crimes. À medida que os assassinatos se acumulam no pequeno povoado, um jovem tenta desvendar a verdade por trás do hipnótico espectáculo de feira de Caligari.

Interpretado por Werner Krauss no papel do Dr. Caligari e Conrad Veidt como Cesare, o filme destaca-se, ainda, pela interpretação de Lil Dagover, que viria a tornar-se uma das grandes estrelas do cinema alemão dos anos 1920. Os cenários pintados, angulosos e distorcidos, concebidos por Hermann Warm, Walter Reimann e Walter Röhrig, rompem com o naturalismo e traduzem visualmente a ansiedade colectiva e instabilidade social da altura. Esta opção estética tornou-se uma das imagens de marca do expressionismo, influenciando gerações de cineastas e movimentos posteriores, do filme noir ao thriller e cinema de terror.

Mais do que uma história de suspense, O Gabinete do Dr. Caligari pode ser lido como uma alegoria do autori-tarismo e da submissão, antecipando debates sobre poder, manipulação e responsabilidade individual. Um século após a sua estreia, o filme mantém-se actual, tanto pela sua ousadia formal como pela força das questões que levanta. A exibição desta obra é também uma oportunidade para revisitar o cinema enquanto forma de expressão artística e histórica.

As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre. 

Até terça-feira!


domingo, 14 de dezembro de 2025

427ª sessão: dia 17 de Dezembro (Quarta-Feira), às 14h30


Curtinhas para Todos, esta quarta-feira no Lucky Star – Cineclube de Braga

Durante o mês de dezembro, o Lucky Star – Cineclube de Braga apresenta o habitual ciclo de Natal. Neste mês foram já exibidos dois clássicos, cujas narrativas se relacionavam com a época natalícia, encerrando-se este ciclo com uma sessão especial para os mais novos, composta por curtas-metragens de animação. As sessões regulares ocorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30. A sessão “Curtinhas para Todos” acontece no dia 17 de dezembro, às 14h30, também na Bibli-oteca Lúcio Craveiro da Silva.

Na próxima quarta-feira, 17 de dezembro, às 14h30, o cinema é para os mais novos. Encerramos o ano com uma seleção internacional de curtas-metragens de animação, pensada especialmente para as crianças, mas igualmente encantadora para todos os públicos. Esta sessão reúne diferentes narrativas a par de diferentes técnicas e estilos na animação, oferecendo um mosaico de pequenas histórias que falam de aventura, coragem e descoberta. Este conjunto de filmes de animação “Curtinhas para Todos” é distri-buído pela Agência de Curtas, no âmbito do programa “O Dia Mais Curto”, e cuja sessão em Braga conta, ainda, com a parceria e apoio da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva.

A sessão é composta por cinco filmes: “Once Upon a Time in Dragonville” (2024), de Marika Herz, uma fábula colorida sobre amizade; seguida por “Sparrows” (2024), de Rémi Durin, uma história to-cante que explora o cuidado através do olhar das pequenas aves. A terceira curtinha é “Le Tunnel de la Nuit (2024), de Annechien Strouven, uma viagem poética que transforma o desconhecido num territó-rio de maravilha e curiosidade. Depois é a vez de “Forever” (2024), uma reflexão visual sobre tempo e mudança, contada com humor, realizada por Theo Djekou, Pierre Ferrari, Cyrine Jouini, Pauline Phi-lippart e Anissa Terrier. Por fim, a sessão termina com o filme de animação em 3D “Homework” (2024), de Nacho Arjona, um retrato divertido dos desafios e imprevistos que fazem parte do quotidia-no infantil.
 
Finda esta sessão, o Lucky Star – Cineclube de Braga retorna com nova programação no dia 6 de janeiro de 2026.

As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre. A sessão “Curtinhas para Todos” é gratuita.

Até quarta-feira!