O Cinema, Manoel de Oliveira e João Botelho, esta terça no Lucky Star – Cineclube de Braga
No mês de junho, o Lucky Star – Cineclube de Braga apresenta o ciclo “O Mestre e o Seu duplo”. A programação é constituída por dois documentários que incidem sobre a obra de um cineasta, seguidos pela exibição de um filme do mesmo. Nesta primeira edição foram escolhidos Yasujiro Ozu, apresentado por Wim Wenders, e Manoel de Oliveira, visto por João Botelho. Como é habitual, as sessões decorrem às terças-feiras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30.
Na próxima terça-feira, o ciclo continua com a exibição de O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu (2016), realizado por João Botelho. Concebida após o falecimento de Manoel de Oliveira, esta obra apresenta-se simultaneamente como uma profunda homenagem ao prestigiado cineasta portuense e uma reflexão ensaística sobre a sétima arte, cruzando os territórios do documentário, da ficção, da memória afectiva e do ensaio crítico.
Partindo de uma relação de amizade e aprendizagem de mais de quatro décadas, Botelho conduz o espectador pelo universo criativo de Oliveira, revisitando os seus métodos de trabalho, as suas invenções formais e a singular concepção estética que atravessou mais de um século de história. Conforme o próprio realizador assumiu, trata-se de um manifesto idealizado “contra o esquecimento”, estruturado não como uma biografia convencional, mas como uma introdução essencial à obra do mestre.
Um dos pontos altos do projeto é a recriação ficcional de A Rapariga das Luvas, uma história antiga que Oliveira muito apreciava, mas nunca filmou. Integrada sob o formato de um filme dentro do filme, esta sequência permite a Botelho dialogar com a herança do mestre, explorando a proximidade entre o registo documental e a ficção pura.
O elenco conta com Mariana Dias, António Durães, Maria João Pinho, Miguel Nunes e Ângela Marques. Destaca-se também Leonor Silveira, presença constante na filmografia de Oliveira por três décadas, que estabelece uma ponte viva entre os dois realizadores.
João Botelho é uma das figuras mais relevantes do cinema nacional na actualidaed, tendo dirigido filmes marcantes, tais como: Conversa Acabada (1982), Os Maias (2014) e O Ano da Morte de Ricardo Reis (2020), pautados pela adaptação literária e experimentação formal. Os seus trabalhos acumulam seleções em festivais de prestígio, com passagens por Cannes, Veneza e Berlim.
Estreado no IndieLisboa e exibido no Festival de Locarno, na Suíça, a obra O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu conquistou o Prémio João Sampaio na Janela Internacional de Cinema do Recife, no Brasil, e garantiu uma nomeação para Melhor Documentário em Longa-Metragem nos Prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema.
As sessões regulares do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras, às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre.
Até terça-feira!



