terça-feira, 11 de agosto de 2026
Silvestre (1981) de João César monteiro
domingo, 9 de agosto de 2026
462ª sessão: dia 10 de Agosto (Terça-feira), às 21h30
O Lucky Star – Cineclube de Braga dedica o mês de agosto a João César Monteiro. Figura central do cinema de autor em Portugal com uma obra marcada pela provocação e por um humor mordaz. Realizador, argumentista e ocasional actor, criou um universo, onde se cruzam referências históricas, literárias, populares, filosóficas e cinematográficas. As sessões deste ciclo ocorrem às segundas-feiras durante o mês de agosto, no Theatro Circo, às 21h30.
O filme surge numa fase crucial da obra de João César Monteiro, sucedendo a Veredas (1978) – exibido na semana passada. Se em Veredas o realizador partia de lendas, tradições e paisagens portugue-sas, em Silvestre aprofunda esse interesse pelo imaginário popular através de uma construção cine-matográfica mais próxima do conto e da fábula. A literatura, o teatro e a tradição oral tornam-se, assim, matérias para uma linguagem que recusa o naturalismo e evidencia o próprio artifício da representação.
A filmografia de César Monteiro caracteriza-se pela forte relação com a literatura, pela cinefilia e por uma permanente experimentação da linguagem cinematográfica. Depois de Silvestre, realizou À Flor do Mar (1986), o qual será exibido no dia 17 de agosto, e Recordações da Casa Amarela (1989), filme que lhe valeu o Leão de Prata no Festival de Veneza e que marcou uma nova e emblemá-tica fase da sua obra.
As sessões do Lucky Star ocorrem durante o mês de agosto no pequeno auditório do Theatro Circo às segundas-feiras, às 21h30. A entrada custa quatro euros para público geral e dois euros com o cartão quadrilátero. Os sócios do cineclube têm entrada livre, mediante disponibilidade de lugares e reserva antecipada.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Veredas (1977) de João César monteiro
domingo, 2 de agosto de 2026
461ª sessão: dia 3 de Agosto (Terça-feira), às 21h30
O Lucky Star – Cineclube de Braga dedica o mês de agosto a João César Monteiro. Figura central do cinema de autor em Portugal com uma obra marcada pela provocação e por um humor mordaz. Realizador, argumentista e ocasional actor, criou um universo, onde se cruzam referências históricas, literárias, populares, filosóficas e cinematográficas. As sessões deste ciclo ocorrem às segundas-feiras durante o mês de agosto, no Theatro Circo, às 21h30.
Hoje, o ciclo abre com “Veredas” (1977) no Theatro Circo. Inspirado em contos, lendas e tradições populares, percorre diferentes paisagens do Norte do país, cruzando literatura, religiosidade e imaginá-rio popular. Unindo a ficção à evocação etnográfica, Monteiro propõe uma reflexão sobre a memória e a identidade cultural portuguesa, transformando a paisagem num espaço onde coexistem mito, história e tradição. César Monteiro interpreta um frade e chefe de salteadores, visto como um primeiro esboço do seu alter-ego João de Deus.
Apesar de não ter recebido prémios na época, “Veredas” (1977) é um marco histórico no cinema portu-guês pela sua abordagem pioneira à antropologia visual e à docuficção, rompendo com o imaginário rural do Estado Novo. Estreado no Festival da Figueira da Foz, o filme ganhou recentemente o estatuto de obra de culto internacional após ser exibido numa retrospetiva no MoMA, em Nova Iorque.
Na sexta-feira, dia 6, às 21h30, o ciclo Fora de Portas leva à Praça Dr. António Losa o filme “O Anjo da Rua” (Street Angel, 1928), de Frank Borzage, numa sessão ao ar livre de entrada gratuita. Produzido nos úl-timos anos do cinema mudo, o filme acompanha Angela, uma jovem que, após fugir de casa, encontra em Gino, um pintor, a possibilidade de uma nova vida.
Frank Borzage (1894–1962) foi um dos grandes realizadores do cinema clássico americano e o primei-ro vencedor do Óscar de Melhor Realização (pelo filme Sétimo Céu). O Anjo da Rua foi um dos títulos que valeu a Janet Gaynor o histórico primeiro Óscar de Melhor Atriz, tendo o filme sido também no-meado para Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.
As sessões do Lucky Star ocorrem durante o mês de agosto no pequeno auditório do Theatro Circo às segundas-feiras, às 21h30. A entrada custa quatro euros para público geral e dois euros com o cartão quadrilátero. Os sócios do cineclube têm entrada livre, mediante disponibilidade de lugares e reserva antecipada.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Amor em Fuga (1979) de François Truffaut
domingo, 26 de julho de 2026
460ª sessão: dia 28 de Julho (Terça-feira), às 21h30
O desfecho da pentalogia Antoine Doinel de Truffaut, esta terça-feira no Lucky Star – Cineclube de Braga
O Lucky Star – Cineclube de Braga dedicou o mês de julho ao realizador francês François Truffaut, figura central da Nouvelle Vague, com o ciclo “A pentalogia Antoine Doinel”. Composta pelas cinco obras que acompanham a famosa personagem, a mostra encerra esta terça na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às 21h30, com a exibição do último filme.
Na próxima terça-feira, o ciclo encerra com “O Amor em Fuga” (L’Amour en fuite, 1979), último filme da série Antoine Doinel. Vinte anos depois de “Os Quatrocentos Golpes” (1959), François Truffaut despede-se da personagem interpretada por Jean-Pierre Léaud ao longo de cinco filmes.
“O Amor em Fuga” volta a reunir Jean-Pierre Léaud no papel de Antoine Doinel, Claude Jade como Christine Darbon e Marie-France Pisier como Colette — personagem que, após uma breve aparição em “Beijos Roubados” (1968), regressa agora para assumir um papel central na narrativa. Através de sequências de arquivo e flashbacks, reaparece também a personagem de René Bigey (Patrick Auffay), o amigo de infância de Antoine em “Os Quatrocentos Golpes”. Esta evocação de diferentes figuras do passado reforça a continuidade da narrativa construída por Truffaut.
As sessões do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Domicílio Conjugal (1970) de François Truffaut
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domingo, 19 de julho de 2026
459ª sessão: dia 21 de Julho (Terça-feira), às 21h30
O Lucky Star – Cineclube de Braga dedica o mês de julho ao realizador francês François Truffaut, figura central da Nouvelle Vague, com o ciclo “A pentalogia Antoine Doinel”. A mostra reúne as cinco obras que acompanham a famosa personagem interpretada por Jean-Pierre Léaud. As exibições acontecem semanalmente às terças-feiras, às 21h30 na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva.
Hoje, o ciclo continua com “Domicílio Conjugal” (Domicile conjugal, 1970), quarto capítulo da série centrada em Antoine Doinel, personagem interpretada por Jean-Pierre Léaud ao longo de vinte anos. Depois de “Beijos Roubados” (1968), encontramos agora Antoine casado com Christine Darbon e prestes a ser pai. Enquanto tenta conciliar a vida familiar com uma sucessão de empregos improváveis, inicia uma relação extraconjugal que põe à prova a harmonia do casal.
François Truffaut (1932–1984) foi uma das figuras centrais da Nouvelle Vague francesa. Crítico dos Cahiers du Cinéma antes de se dedicar à realização, defendeu, sob a influência de André Bazin, um cinema de autor livre de convenções. A série Antoine Doinel permanece um dos projectos mais singu-lares da história do cinema, acompanhando a mesma personagem, interpretada pelo mesmo actor, entre 1959 e 1979.
As sessões do Lucky Star ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva às terças-feiras às 21h30. A entrada custa um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público em geral. Os sócios do cineclube têm entrada livre.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Beijos Roubados (1968) de François Truffaut
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Como é que estes propósitos se revelam na série de filmes que acompanham durante 20 anos a vida de Antoine Doinel? Aquilo que distingue o seu “realismo”, é a elegância com que neles se entretece a comédia e a tragédia, a forma como a tristeza se insinua entre peripécias aparentemente cómicas, a feição muito “tchekoviana” como as dores de crescimento de Antoine Doinel, as suas angústias existenciais, nos vão sendo reveladas em sotto voce.
Na sequência final de Os quatrocentos golpes, a câmara, num longo travelling, acompanha a fuga de Antoine Doinel do instituto correcional. Segue-o na sua corrida ofegante e acaba por se fixar num grande plano do seu rosto, que se volta para a câmara e nos encara. É o rosto de uma criança crescida que procura, sem o encontrar, o seu lugar no mundo. Essa busca continua em Os beijos roubados.
A acção decorre nos tempos conturbados do Maio de 68. Em Paris, erguem-se barricadas, as universidades estão encerradas e as fábricas em greve, mas nada disso se vê neste filme. Apenas nos diálogos há breves alusões àquilo que então fazia as manchetes dos noticiários. Em vez disso, o trabalho de Antoine Doinel numa agência de detectives introduz-nos no mundo dos pequenos dramas quotidianos e o filme aparenta ser uma comédia ligeira que encontra os seus temas numa crónica de acontecimentos banais, na vida comum com as suas rotinas e anedotas.
Antoine Doinel não é de forma alguma um enragé, mas um jovem gentil e mesmo (e de uma forma um tanto cómica) muito sério e cerimonioso. Contudo, na sua inquietude, no seu espírito sonhador, na sua dificuldade em ajustar-se às convenções e práticas sociais, o “espírito de 68” não deixa de estar presente.
Em Os quatrocentos golpes, tinha 13 anos, agora terá mais uns sete. Em Antoine e Colette, Antoine Doinel, então com 17, vive uma primeira paixão, mas o seu amor não é correspondido. Em Os beijos roubados, conhece Christine. Os seus modos delicados e o seu ar um pouco perdido suscitam a atitude protectora dos pais da namorada. Depois de um percurso de abandono, incertezas e fracassos, Antoine anseia pela segurança de um lar burguês. Christine, que simpatiza com ele, seria a porta de entrada nesse porto seguro. Mas, eis que entra em cena a deslumbrante Mme. Tabard…
A amizade ou a paixão? A simplicidade ou o glamour? A segurança ou a aventura? Christine ou Fabienne? O dilema de Antoine Doinel é explicitado na cena trágico-cómica diante do espelho. Um tubo pneumático transportará através dos subterrâneos de Paris a sua decisão. Depois, Mme. Tabart mostrar-lhe-á como se pode resolver a quadratura do círculo. O seu casamento com Christine será o tema do próximo filme. Mas, em Os beijos roubados, quem lhe faz uma promessa de amor eterno não é Antoine Doinel, mas um louco.
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