por Laura Mendes
Amores Imaginários é uma ode às fantasias da juventude - aquelas onde nos entregamos aos amores não correspondidos, incapazes de os largar, mantendo-os sempre apetecíveis e fascinantes. Uma ode que desvela o que subjaz aos desamores e às ilusões que nos acometem e desvariam: os loucos ideais pelos quais somos tentados, o conceito do ser(-se) amado que ultrapassa a pessoa que pode ser amada - como o dizem no próprio filme -, colocando a falha como elemento imprescindível nas relações que mantemos com os outros, na maneira como crescemos.
Um filme que explora a complexidade do fenómeno da atração, o seu funcionamento enquanto ponto de partida para uma série de desavenças que colocam frente a frente (res)sentimento, paixão e desilusão, trabalhando o amor romântico ora como uma quimera íntima, ora como um duelo de onde sairá um vencedor e um vencido, até mesmo como um acontecimento tanto impossível como inimaginável.
Um filme que explora a complexidade do fenómeno da atração, o seu funcionamento enquanto ponto de partida para uma série de desavenças que colocam frente a frente (res)sentimento, paixão e desilusão, trabalhando o amor romântico ora como uma quimera íntima, ora como um duelo de onde sairá um vencedor e um vencido, até mesmo como um acontecimento tanto impossível como inimaginável.
Repleto de metáforas e devaneios visuais - as escondidas na montanha, o saborear dos marshmallows - evidencia a beleza inerente aos jogos entre Marie, Francis e Nicolas: os dois primeiros, impotentes face aos encantos do último, um Adónis de carne e osso, recusam expressar desejos indizíveis sempre latentes, que ocupam o seu quotidiano, preferindo uma luta lenta e inquietante, mas cativante, necessária à conquista daquele coração.
As tensões entre hetero e homossexualidade, entre amores frustrados e bem-sucedidos, surgem-nos clarificadas e racionalizadas nas sequências intervalares e confessionais, enquanto se materializam de forma brutal e carnal nas dinâmicas do triângulo amoroso, criando um díptico que confronta não só reflexão e ação, mas também realidade e ilusão.
A narrativa, de simplicidade primitiva, ganha contornos mais interessantes com os pormenores que evocam o onírico e o utópico, a transcendência - pensemos nas sequências onde a câmara lenta nos guia em fabulosas danças de cores, ídolos do cinema, paixões irrevogáveis -, unindo-se, num abraço delicioso, à forma que adota através da via do olhar encantado, rendido.
Queremos que a fantasia se perpetue. É, no entanto, com a destruição do lugar idílico onde o amor poderia florescer sem impedimentos que o filme penetra nas dificuldades do sonho. Rivalidade e desejo, fantasmas de amores passados e futuros compõem uma viagem de frustração que demonstra a força do amor e da sexualidade, mas também o seu lado mais negro e profundo, adensado pela revelação das dores dos corpos queer, dos ciclos de rejeição, da revolta contra uma solidão aparentemente inescapável.
Com a criatividade e a sensualidade de sempre, Dolan reinventa o derrotismo, transformando-o numa reivindicação de amizade, num propulsor de excitação, de novos começos, de vida a acontecer.

Sem comentários:
Enviar um comentário